domingo, 29 de julho de 2012

Os maus usos da fé






Os maus usos da fé

Ignorancia e fé
Dissecão de cadáveres
Copernico e Galileu
Evolucionismo
Fundamentalismo religioso

Ignorância e fé

Por vezes os dogmas não têm sido compreendidos e expostos segundo o seu verdadeiro conteúdo, assim como se tem confundido tradição com verdade religiosa. Simples opiniões difundidas numa determinada época foram consideradas verdades de fé. Já SÓCRATES foi condenado à morte por uma situação destas .



Quadro de J.L. DAVID

Esta estranha associação entre ignorância e um conceito errado de fé foram em determinadas épocas um grande entrave para o avanço da ciência e a evolução do pensamento. Vejamos alguns exemplos.

Dissecção de cadáveres

A dissecção de cadáveres já se praticava em Alexandria no tempo dos Ptolomeus. ERASISTRATO (310-250 AC) e HERÓFILO (335-285 AC) deviam os seus conhecimentos anatómicos às autópsias que efectuaram.
Todavia estas práticas deixaram de se efectuar, e a anatomia galénica já era baseada exclusivamente na dissecção de animais. No início da Idade Média as dissecções humanas estavam proibidas devido à crença na ressurreição da carne e ao medo inspirado pelos cadáveres. Foram necessárias muitas lutas e muita perseverança para se chegar até VESÁLIO.





Rembrandt- Lição de anatomia




Copérnico e Galileu

Durante catorze séculos foi aceite como indiscutível o modelo proposto por Ptolomeu para explicar o movimento dos astros, chamado geocêntrico por considerar que a terra estaria imóvel e todos os astros se moveriam sobre a terra segundo um sistema combinado de circunferências excêntricas e de epiciclos.
No século XVI  COPÉRNICO no livro Revolução das órbitas celestes, dedicado ao Papa Paulo III, propôs um sistema heliocêntrico em que o sol estaria imóvel e a terra se moveria à volta do sol, a lua à volta da terra e os outros planetas à volta do sol. Este sistema pondo em causa conhecimentos aceites como definitivos e “ desvalorizando” o papel central da terra no Universo, suscitou muitas criticas, nomeadamente de TYCHO-BRAHE,  o maior astrónomo da época e de LUTERO que o apelidou de louco. Todavia a sua ideia foi bem aceite por altas personalidades da Igreja como o Cardeal SCHONBERG  que se propôs mandar copiar o livro à sua custa e o Bispo TIEDMAN GIESE que lhe encontrou um editor.





Obra de Cyprian Godebski

GALILEU abraçou com entusiasmo essa ideias. Numa polémica com SOZZO e IDELLE COLOMBE  que acusaram o sistema de COPÉRNICO de contrariar as Escrituras, GALILEU para os combater fez uma exegese pessoal da Bíblia. O Santo Ofício, pressionado pelo grande número de heresias existente sobre a Bíblia, condenou GALILEU e proibiu a leitura do livro de COPÉRNICO, interdição que levantou quatro anos depois.




Galileu e a inquisição
Quadro de BANTI






Quadro de ROBERT-FLEURY

Do lado protestante apareceram reacções iguais. A Universidade de Teologia Protestante de Uppsala após um julgamento solene condenou NILS CELSUS  por ter defendido as ideias de Copérnico e proibiu-o de ensinar durante quarenta anos.


Evolucionismo

Quando DARWIN defendeu o evolucionismo, as suas ideias foram mal aceites, particularmente por protestantes que as consideraram contrárias às Escrituras.










Miguel MIGUEL ANGELO- Criação de Adão




Nos Estados Unidos, particularmente nos Estados do Sul, mantém-se uma polémica entre os criacionistas (os que seguem literalmente a versão bíblica da criação) e os evolucionistas. Tornou-se célebre devido à sua divulgação nos mass-média a condenação em 1925 de John Scopes pelo tribunal de Dayton (Tennessee) por ensinar o evolucionismo. Em 1981 o juiz Overton em Little Rock (Arkansas) após ter ouvido um grande número  de especialistas decidiu que o criacionismo não poderia ser considerado como uma hipótese científica válida e assim não poderia ser ensinado como verdade científica, por ser contra o princípio da liberdade religiosa. Pela mesma razão condenou o balanced treatment (tratamento equilibrado) ou seja o ensino simultâneo do criacionismo e do evolucionismo. Todavia o Kansas School Board of Education retirou o ensino obrigatório do evolucionismo das escolas públicas e George Bush Jr., retomou a ideia do balanced treatment com o nome de morality based education.




Darwin’s Transhumanisitic Theory of Evolution


Estes exemplos demonstram como a ignorância associada ao poder temporal da Igreja ou do Estado pode dificultar o avanço das ideias e da ciência. Também se pode passar o mesmo nos meios científicos. Algumas vezes atitudes intransigentes de cientistas altamente conceituados impediram o avanço de novas ideias.


Fundamentalismo religioso

O fundamentalismo religioso é certamente o exemplo mais evidente e mais lamentável de uma má interpretação e uma má utilização da fé. O raciocínio levando ao fundamentalismo é muito simples – a fé dá-me a certeza de possuir a verdade divina; por conseguinte se eu tenho a verdade absoluta, os que não têm a minha religião são hereges.
Já os romanos tratavam por bárbaros os que não tinham a mesma religião e a mesma cultura e chegaram a massacra-los, mas foi com o advento do cristianismo que o fundamentalismo se generalizou. Começou com perseguições generalizadas aos cristãos mas quando o cristianismo se tornou poder, a situação inverteu-se.
Em 313, CONSTANTINO proclamou pelo edito de Milão a liberdade de culto. Com TEODÓSIO, em 380, o cristianismo tornou-se religião de Estado. Chegou rapidamente a tentação da Igreja utilizar o braço secular para combater as heresias e de os imperadores utilizarem a Igreja para aumentar o seu poder através de um religião unitária. A jurisprudência pagã não distinguia a autoridade civil da autoridade religiosa. CONSTANTINO promulgou um primeiro decreto contra as heresias a que se seguiram outros promulgados pelos imperadores que lhe sucederam, decretos reunidos mais tarde num Codex. Inicialmente estes decretos permitiam várias sanções mas raramente a morte. Era missão dos bispos pronunciarem-se sobre a heterodoxia e dos juízes promulgar a sentença. Pouco a pouco os bispos foram assumindo poder temporal como foi o caso de ARIBERTO, bispo de Milão, que ocupou o castelo de Monfort e prendeu e supliciou os hereges.

É particularmente interessante considerar o que se passou na Península Ibérica. No reino dos Godos observou-se sempre uma aliança completa entre a Igreja e o poder temporal. Antes de chegarem ao Ocidente, os godos tinham-se convertido ao cristianismo. No fim do Século IV converteram-se ao arianismo tendo começado imediatamente a discriminação contra os cristãos até ao ponto do rei Leovigildo ter procurado impor o arianismo ao seu povo. Quando o seu filho Hermenegildo, cristão, se revoltou contra  ele, este dispôs-se a perdoá-lo se ele abjurasse a sua fé, tendo sido morto por se ter recusado.








F. HERRERA- Triunfo de S. Hermenegildo



Após a conversão de Recaredo  ao cristianismo a maior parte da população abraçou esta religião e as perseguições viraram-se contra os judeus. Os concílios de Toledo confirmaram esta política.
Após a conquista da península pelos árabes surgiu uma época de tolerância religiosa que só não foi seguida pelas duas últimas dinastias, os almoravidas e os almoadas. Esta tolerância continuou a ser praticada pelos cristãos após a Reconquista ao contrário da política seguida por outros povos cristãos, como os francos.
Esta tolerância manteve-se até ao século XIII altura em que, devido à heresia cátara, nomeadamente a albigense, a Igreja chamou para si o direito de punir pela morte os hereges, nomeando inquisidores que actuavam com aval da sociedade civil.

As cruzadas são um outro exemplo de fundamentalismo








Cerco de Antiõquia durante a primeira  cruzada







Cruzados frente a Jerusalem



A Inquisição foi criada em 1220 e a tortura autorizada .em 1225. A justificação teológica foi dada por S. Tomás de Aquino.

É mais grave corromper a fé, que assegura a vida da alma, do que falsificar moeda que permite sobreviver à vida temporal. Por consequência, se os falsificadores são imediatamente condenados à morte pelos príncipes seculares, por maioria de razão os hereges que estão convencidos da sua heresia poderão não só serem excomungados mas também com toda a justiça condenados à morte.

Em 1478 o papa SISTO IV a pedido dos Reis Católicos aprovou a instalação da Inquisição em Espanha que mais tarde se estendeu a Portugal. O papa Paulo III confirmou a constituição da Companhia de Jesus.







P. BERRUGUETE-  S. Domingos presidindo a um auto de fé





GOYA – Inquisição


LUTERO indignado com a venda de indulgências e a corrupção da Igreja escreveu um
texto altamente crítico. Como resposta o papa LEÃO X ordenou que fossem queimados todos os escrito de LUTERO. Foi criado assim o maior cisma as igreja cristã e mais      uma vez a intolerância esteve na sua génese.

Todavia e Reforma surgiu como um novo foco de intolerância. CALVINO com a ideia da predestinação absoluta governou Geneve com autoridade e tomou atitudes extremas com a morte pelo fogo de Michel Servet. Esta intolerância espalhou-se pelos países de maioria protestante.






USSI – Execução de Savonarola






Hogenberg
The Calvinist Iconoclastic Riot of August 20, 1566







J.D. Zunner





Dois padres pedem a um herético para se confessar depois de ter sido torturado






Circa 1500, A prisoner undergoing torture at the hands of the Spanish Inquisition. Monks in the background wait for his confession with quill and paper




Porquê o fundamentalismo?

O fundamentalismo tem estado associado aos regimes políticos absolutos. Tratou-se de uma aliança contra natura apenas compreensível pela filosofia política da época. Tenhamos presente que a palavra tolerância entrou no nosso vocabulário apenas no Renascimento, devido a LOCKE.

MOISÉS, CRISTO E MAOMÉ  representam as três religiões monoteístas mais seguidas representado muitos milhões de crentes, religiões que se poderiam ter inspirado parcialmente do monoteísmo solar do século IV AC.

Todas estas crenças serão falsas? Haverá só uma verdadeira? Julgo que temos que aceitar a fé de quem acredita, seja que religião for. Provavelmente a limitação da nossa inteligência e as diferentes culturas e tradições impedem o homem de er Deus em toda a sua grandeza, conseguindo ter apenas visões parcelares não totalmente semelhantes mas todas capazes de levar a uma fé absoluta.
Por esta razão todos os crentes deveriam amar-se, respeitar-se como irmãos e procurarem compreender-se.

É totalmente incompreensível como o fundamentalismo continua neste século – fundamentalismo árabe, ETA, IRA, limpeza étnica, continuando a observarem-se ideias erradas e deturpadas de fé associadas a abusos de autoridade em domínios religiosos, filosóficos, políticos e mesmo científicos. É importante reflectir como isto é possível num mundo que se intitula democrático e solidário, respeitando a ideias e a dignidade dos outros.

CONCLUSÃO

Vimos como a partir do inteligível o cientista pôde chegar à hipótese Deus e como a fé pode transformar a hipótese em certeza. Vimos como a fé não esclarecida se pode misturar com a ignorância e como uma fé mal compreendida pode levar ao fanatismo.
O cientista crente será um cientista diferente dos outros? Certamente não esperará uma intervenção miraculosa de Deus na sua vida científica. Contudo sente que o seu trabalho o leva a descobrir e a participar nas maravilhas da obra de Deus, sentirá uma alegria em conhecer que aumentará a sua perseverança, o seu rigor e a sua responsabilidade e sentir-se-á chamado para colaborar a sacralizar um mundo dessacralizado.
   
 PROXIMO TEMA 

DEUS FALA AOS HOMENS
A revelação
Insuficiencia da abordagem racional de Deus
Revelação
Intervenções extraordinárias de Deus

domingo, 22 de julho de 2012


A FÉ
A certeza de Deus

A revelação

A certeza de Deus

Perante um juízo, a inteligência pode tomar uma atitude de certeza se adere a uma das alternativas (verdadeiro ou falso) de dúvida se não consegue escolher entre as duas alternativas e de opinião se se inclina para uma das alternativas sem razões totalmente  fundamentadas.
A certeza pode surgir por evidência imediata ( o todo é equivalente à soma das suas partes), por uma razão intrínseca quer por dedução (demonstração dos teoremas) quer por indução (leis das ciências naturais) ou por uma razão extrínseca quando se aceita
como verdade o testemunho de uma pessoa ou instituição credíveis.

A é a certeza por razões extrínsecas. É a adesão do nosso espírito a alguém a quem damos crédito absoluto. Quando afirmamos que Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia aceitamos os testemunhos da história. Quando aceitamos resultados publicados num jornal científico aceitamos a credibilidade dos autores. Esta fé  surge como uma verdade plausível e evidente mas que pode ser questionada.

É por esta razão se a palavra fé é geralmente reservada para a fé divina, para a verdade revelada por Deus. Embora esta fé seja por definição inquestionável, tem necessidade da inteligência para a compreender. 







O pensador

Obra de Henry Clews Jr


Em geral nas igrejas faz-se pouco apelo à razão, à reflexão crítica, à pergunta. Como se a fé não tivesse de conviver com a inteligência, com a duvida e com a pergunta.
Padre Anselmo Borges






Triunfo da fé sobre a idolatria

Quadro de JEAN BAPTISTE THEODON


A revelação

A revelação está centrada não só sobre a certeza de Deus mas também num conjunto de afirmações sobre a natureza de Deus e as suas relações com os homens, a que se chama mistério. Nas religiões cristãs, a Santíssima Trindade é uma peça fundamental do mistério.








Pode-se considerar mistério como aquilo que é completamente inacessível à razão, embora não possamos considerar a fé como a submissão passiva da inteligência. Pode-se adquirir um conhecimento misterial (JEAN GUITON) pois que podemos raciocinar sobre o revelado elaborando uma filosofia misterial. Como dizia S.BERNARDO DE CLAIRVAUX eu creio para poder compreender .

Esta mistura de fé e razão obriga-nos a passar da construção ao acolhimento e da evidência à adoração. Associam-se assim a adesão da fé com um engajamento completo e a inteligência da fé implicando uma consciência mais viva do mistério e o desenvolvimento  da sua inteligibilidade.



PROXIMO TEMA

Os maus usos da fé

Ignorancia e fé
Dissecão de cadáveres
Copernico e Galileu
Evolucionismo
Fuindamentalismo religioso





domingo, 15 de julho de 2012

Juizo final


PARA ONDE VAMOS? HAVERÁ UM JUIZO FINAL?

Haverá um juízo final?
A ressurreição dos corpos
Há fundamentos para estas ideias?
A imortalidade da alma

Haverá vida para lá da morte? Qual o nosso destino para lá da morte? São questões que surgem a todos nós. A fé judeo-cristã responde com o juízo final.
Mas como será o juízo final? Embora para os crentes seja um mistério, podemos reflectir sobre ele para encontrar
algumas ideias que nos orientem, tanto mais que as concepções sobre o juízo final podem ter a ver com os nossos comportamentos na vida terrena

Haverá um juízo final?

Podemos pôr esta questão de outra maneira – a vida eterna será a mesma para todos?
Se o destino final do homem é a contemplação de Deus, pareceria que este objectivo só poderá ser atingido por quem na vida terrena tenha vivido no amor de Deus e no amor ao próximo.
É desta ideia que nasceu a noção do juízo final. Não se tratará certamente de uma separação permanente entre “ bons” e “maus” pois um Deus misericordioso que nos ama nunca faria isso, mas tratar-se-ia antes de um período de purificação antes de chegar à contemplação plena de Deus.

A ressurreição dos corpos

Todos os artistas retrataram o juízo final com a presença dos corpos. Esta ideia tem sido seguida pela maioria da igreja e pelas crenças populares





BACKER








Obra  de F.ROSSELLI







Quadro de BELLEGAMBE




Esta ideia está ligada a existência do inferno




BOTICELI – Inferno     




BOSCH – Inferno



Há fundamentos para estas ideias?

O acesso à vida eterna é bastante focado nos ensinamentos de Cristo e é utilizado muitas vezes para fundamentar a ressurreição dos mortos, afirmação incluída no texto do Credo.
É o caso deste texto de S.Mateus

Mateus 22

24.
«Mestre, Moisés disse: "Se alguém morrer sem ter filhos, o irmão desse homem deve casar-se com a viúva a fim de que possam ter filhos em nome do irmão que morreu".

25.
Pois bem, havia entre nós sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem ter filhos, deixando a mulher para o seu irmão.

26.
Do mesmo modo, aconteceu com o segundo e o terceiro e assim com os sete.

27.
Depois de todos eles, morreu também a mulher.

28.
Na ressurreição, de qual dos sete ela será mulher? De facto, todos a tiveram».

29.
Jesus respondeu: «Estais enganados, porque não conheceis as Escrituras nem o poder de Deus.

30.
De facto, na ressurreição, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do Céu.

31.
E, quanto à ressurreição, será que não lestes o que Deus vos disse:

32.
"Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob"? Ora, Ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos».

Todavia, este texto não é tão categórico como parece. De facto ao dizer no versículo 30 – na ressurreição os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu indica claramente que a ressurreição será de outra natureza, tendo-se expressado provavelmente de um modo figurado
A ressurreição de Cristo não é um exemplo pois Ele ressuscitou apenas para a vida terrena, pois a sua existência
é eterna.


A imortalidade da alma

Um outro texto de Cristo clarifica mais estas ideias

Mateus 15

18.
Ao contrário, as coisas que saem da boca vêm do coração e essas é que tornam o homem impuro.

19.
Pois é do coração que vêm as más intenções: crimes, adultério, imoralidade, roubos, falsos testemunhos, calúnias.

20.
Essas coisas é que tornam o homem impuro; mas comer sem lavar as mãos não torna o homem impuro».

Podemos aqui traduzir o coração por alma. É a  má distinção do bem e do mal que cria os problemas Esta distinção é feita pela alma e não pelo corpo pois comer sem lavar as mãos não torna o homem impuro
É a alma que torna o homem diferente dos animais e provavelmente terá sido introduzida individualmente por Deus em cada ser humano.
A alma perduraria para lá da morte do corpo, seria imortal, sendo  sujeita ao juízo final.
As almas impuras seriam privadas temporariamente da contemplação de Deus, para se purificarem.
A ausencia da contemplação de Deus, mesmo temporária, será causa de sofrimento e tristeza e o desejo de mudar permitirá um acesso mais ou menos rápido a uma vida eterna na presença de Deus

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The love of souls
Quadro de Jean DELVILLE



PROXIMO TEMA
A FÉ
A certeza de Deus
A revelação



domingo, 8 de julho de 2012










O QUE SOMOS? COMO VIVEMOS?
O pecado original e o destino do homem

A criação do homem
O Jardim do Eden
A tentação da serpente
O castigo de Deus
Caim e Abel
O pecado original existiu ou é uma história?
Qual o significado desta história – a liberdade do homem



É natural interrogarmo-nos sobre o que estamos a fazer  neste  mundo e qual a razão da nossa presença.
As reflexões que se seguem a propósito do pecado original talvez  possam ajudar a compreender


Criação do homem

Façamos o ser humano à sua imagem e semelhança (…) Ele os criou homem e mulher
Gn1, 26-31





Quadro de LUCAS CRANACH





B0LAKE- Adão e Eva dormindo

Então o  Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida
Gn2-7





Quadro de ALLORI


O Jardim do Eden

Depois o Senhor Deus  plantou  um jardim no Eden (…) e fez brotar da terra toda a espécie de arvores agradáveis(…) assim como a arvore do conhecimento do bem e do mal
Gn 1, 4-16~







JAN BRUEGHEL



http://www.artexpertswebsite.com/pages/artists/peter.php
Obra de PETER WENZEL  
LANÇADA EM !9/5

A tentação da serpente

Em Gn 3, 1-6 descreve-se a tentação da serpente






Quadro de ABILDGAARD
´




Illuminated parchment, Spain, circa AD 950-955, depicting the Fall of Man, cause of original sin.


Para mais informação sobrebevolucionismo consulte o capitulo EVOLUCIONISMO - LINKS publicado em 28/10/12

O castigo de Deus( Gn 13, 14-24)

Deus obrigou-os a “arrancar alimento através de penoso trabalho” e para a mulher aumentarei os sofrimentos da tua gravidez






Quadro de CRABETH

Em seguida expulsou-os do jardim do Éden




Quadro de JOHN FAED





Expulsion from Paradise", marble bas-relief by Lorenzo Maitani on the Orvieto Cathedral, Italy


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Mantegazza



Caim e Abel

Este caso narrado na Biblia constitui certamente o primeiro exemplo do mau uso da liberdade individual

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Quadro de DANIELE CRESPI



O pecado original existiu ou é uma história?

O Novo Testamento nunca fala no pecado original nem da transmissão desta falta de Adão e Eva através das gerações.
Embora S. Paulo aborde vagamente o tema (Rom.5, 13-21) o conceito deve-se a S.Agostinho- todo o ser humano nasce marcado pelo pecado original que só poderá ser apagado pelo batismo.
Esta ideia que não deveria passar duma posição filosófica, e portanto falível, foi instituída erradamente pela Igreja como verdade absoluta.

Pode encontrar informações detalhadas em:


 Argumentos contra estes conceitos

Para mim, há pelo menos dois argumentos que me levam a não aceitar estes conceitos
  • É difícil aceitar que um Deus que embora todo poderoso é essencialmente misericordioso, tenha condenado num acesso de ira todas as gerações a uma condenação para um acto que elas não cometeram
  • Os estudos actuais sobre a evolução mostram que a mutação que formou o homem não se passou num individuo mas sim numa população e por isso surgiram simultaneamente vários Adãos e Evas

Qual o significado desta historia – a liberdade do homem

É evidente que este relato não corresponde à realidade. À boa maneira semita é uma história para nos levar a tirar conclusões.
Quais as conclusões que podemos tirar?
O contacto com a arvore do conhecimento representa ter sido dado ao homem o conhecimento do bem e do mal e a  capacidade de optar livremente entre o bem e o mal.
Na Biblia  a morte de Abel  aparece como o primeiro caso de mau uso da liberdade por Caim

Concluindo

O pecado original é uma alegoria para exprimir que o que diferencia o homem dos animais é a alma, expressa na Biblia como o sopro da vida, o que implica o conhecimento do bem e do mal ( consciência)  deixando ao  homem a liberdade de escolha entre o bem o mal.
Diz a Biblia que no juízo final seremos julgados pelos nossos actos, isto é, pelas nossas opções entre o bem e o mal.
No próximo tema discutiremos o juízo final



PROXIMO TEMA

Para onde vamos- Juizo final
Haverá um juízo final?
A ressurreição dos corpos
Há fundamentos para estas ideias?
A imortalidade da alma